
O refrigerante zero não é uma bebida protetora dos rins e seu consumo frequente deve ser evitado. A versão sem açúcar elimina a carga de sacarose e reduz o impacto glicêmico direto, mas pode conter acidulantes, fósforo inorgânico, sódio, cafeína e adoçantes. Isso não significa que uma lata ocasional cause insuficiência renal, nem que todo adoçante seja comprovadamente tóxico. O problema é manter uma bebida ultraprocessada como hábito, especialmente em pessoas com Doença Renal Crônica (DRC), hiperfosfatemia, hipertensão ou histórico de cálculos.
Resposta direta: trocar o refrigerante comum pelo zero pode reduzir o açúcar, mas não transforma a bebida em água ou em opção saudável para hidratação. Na DRC e na diálise, verifique o rótulo e converse com o nutricionista sobre fósforo, sódio, cafeína e volume de líquidos.
1. O que é o refrigerante zero e qual é sua composição?
Refrigerante zero, diet ou light é formulado para oferecer sabor doce com pouco ou nenhum açúcar. A composição varia entre marcas e sabores. Em geral, contém água gaseificada, acidulantes, aromatizantes, corantes, conservantes e edulcorantes. Refrigerantes de cola frequentemente usam ácido fosfórico, enquanto alguns sabores cítricos utilizam ácido cítrico. A leitura do rótulo é essencial porque a receita não é igual em todos os produtos.
1.1. Principais componentes e cuidados
- Ácido fosfórico: acidulante comum em bebidas de cola que acrescenta fósforo inorgânico, facilmente absorvido.
- Adoçantes: aspartame, sucralose, acessulfame-K e ciclamato podem aparecer em diferentes combinações. A ausência de açúcar não equivale a benefício renal.
- Sódio: citratos e benzoatos de sódio podem contribuir para o sódio total, que varia conforme o produto.
- Cafeína: presente em muitas colas; em excesso pode piorar sono, palpitações e pressão em pessoas sensíveis.
- Gás e acidez: podem causar desconforto digestivo e erosão dental, sem que isso por si só prove lesão renal.
2. Impacto renal: fisiologia, associações e limites das evidências
2.1. Fósforo inorgânico e DRC
O fósforo é necessário ao organismo, mas os rins doentes podem ter dificuldade para eliminá-lo. Aditivos fosfatados são absorvidos de forma mais rápida que parte do fósforo naturalmente presente nos alimentos. O consumo repetido pode dificultar o controle do fósforo em quem já tem DRC, embora a quantidade exata dependa da fórmula e da porção.
- Absorção elevada: o fósforo de aditivos tende a ser mais biodisponível, por estar em forma livre.
- FGF-23 e PTH: o corpo ajusta esses hormônios para manter o equilíbrio mineral; níveis alterados na DRC se relacionam a doença óssea e vascular.
- Rótulo: procure ácido fosfórico, fosfato monossódico, fosfato tricálcico ou E338 quando o controle de fósforo for necessário.
2.2. Refrigerante zero e declínio da TFG
Estudos observacionais encontraram associações entre o consumo frequente de bebidas artificialmente adoçadas e alguns desfechos metabólicos e renais. Associação não prova que o adoçante cause diretamente queda da TFG: pessoas que consomem mais refrigerante podem ter diabetes, hipertensão, obesidade, menor consumo de água ou outros fatores de risco. Por isso, o refrigerante zero deve ser limitado como parte de um padrão de saúde, sem prometer uma relação causal absoluta.
2.3. Cálculos renais e hidratação
Refrigerante zero não substitui a água. Quando a bebida ocupa o lugar da água, a urina pode ficar mais concentrada. Colas também podem trazer fósforo e acidez, mas a formação de pedras depende de diversos fatores: tipo de cálculo, volume urinário, cálcio, oxalato, citrato, ácido úrico, sódio e genética. Não é correto dizer que toda lata causa pedra ou que água com gás e limão trata qualquer cálculo.
Atenção na doença renal
Pessoas com DRC, hiperfosfatemia, hipercalemia ou hemodiálise devem conferir bebidas industrializadas com sua equipe. Procure atendimento diante de dor intensa com febre, vômitos persistentes, redução importante da urina, desmaio ou palpitações.
3. Refrigerante zero e outras bebidas: comparativo
| Bebida | Fósforo/aditivos | Açúcar | Consideração renal |
|---|---|---|---|
| Refrigerante zero de cola | Frequentemente alto em acidulantes | Nulo | Limitar; não substitui água |
| Refrigerante zero cítrico ou guaraná | Varia conforme a fórmula | Nulo | Verificar rótulo e manter consumo ocasional |
| Refrigerante comum | Varia; pode conter fosfatos | Muito alto | Desaconselhado pelo açúcar e ultraprocessamento |
| Água com gás e limão | Sem aditivos de refrigerante | Nulo | Alternativa, respeitando limite de líquidos |
| Chá de ervas sem açúcar | Geralmente baixo; varia | Nulo | Observar potássio e volume na DRC |
4. Guia de consumo conforme a função renal
| Situação | Orientação geral | Cuidados |
|---|---|---|
| Rins saudáveis | Reservar para ocasiões esporádicas | Não usar no lugar da água |
| DRC leve a moderada | Evitar o uso diário | Verificar fósforo, sódio, pressão e glicemia |
| DRC estágio 3b | Preferir não consumir | Avaliar rótulo, fósforo sérico e plano alimentar |
| DRC estágios 4 e 5 | Evitar, salvo orientação específica | Maior risco de retenção de fósforo e líquidos |
| Hemodiálise ou diálise | Individualizar com a equipe | Contabilizar o volume e os aditivos |
Não existe uma quantidade universalmente segura para todos. A recomendação depende do produto, da frequência, dos exames, da diurese e da prescrição de líquidos.
5. Mitos e verdades sobre refrigerante zero
Mito 1: “Refrigerante zero não afeta os rins porque não tem açúcar.”
Falso. A ausência de açúcar reduz um risco metabólico, mas não elimina acidulantes, fósforo, sódio, cafeína e o caráter ultraprocessado da bebida. O impacto real depende da fórmula e do padrão de consumo.
Verdade 1: “Refrigerante zero de cola pode exigir mais cuidado.”
Verdade. Muitas colas utilizam ácido fosfórico. Isso não significa que uma porção ocasional cause doença renal, mas pode ser relevante para quem precisa controlar fósforo ou evita aditivos fosfatados.
Mito 2: “Refrigerante zero cumpre a meta de hidratação.”
Falso. Mesmo contendo água, ele não deve substituir a água indicada no plano. A cafeína, o sódio, o sabor doce e a acidez podem manter o hábito de consumir bebidas industrializadas.
Verdade 2: “Reduzir a frequência ajuda a proteger a saúde renal.”
Verdade. Diminuir o consumo libera espaço para água e alimentos menos processados, contribuindo para o controle de pressão, peso e metabolismo. Na DRC, também facilita o controle de fósforo e líquidos.
6. Recomendações práticas para substituição
- Leia os ingredientes: procure ácido fosfórico, fosfatos, sódio e cafeína, conforme sua orientação nutricional.
- Faça uma troca gradual: reduza de duas ou três latas por dia para uma porção menor e depois para ocasiões específicas.
- Use água com gás e limão: se tolerada e compatível com seu plano, pode oferecer gás e sabor sem os aditivos do refrigerante.
- Experimente água aromatizada: rodelas de limão, pepino, morango ou folhas de hortelã podem ajudar na transição.
- Não substitua um problema por outro: sucos, bebidas energéticas e chás prontos também podem conter açúcar, potássio, fósforo ou sódio.
- Respeite o limite de líquidos: em hemodiálise, insuficiência cardíaca ou DRC avançada, toda bebida entra na conta diária.
- Converse com a equipe: ajuste a escolha ao potássio, fósforo, pressão, glicemia e histórico de cálculos.
7. Diretriz final
O refrigerante zero pode reduzir o açúcar em comparação com a versão comum, mas não é uma bebida inofensiva ou necessária para os rins. A fórmula pode conter fósforo inorgânico, acidulantes, sódio, cafeína e adoçantes; além disso, seu consumo habitual pode deslocar a água e favorecer um padrão alimentar de pior qualidade. Em pessoas com DRC, hiperfosfatemia ou diálise, a bebida deve ser evitada ou rigorosamente individualizada conforme rótulo, exames e limite de líquidos.
Trocar o refrigerante comum pelo zero é uma redução de açúcar, não uma solução renal. A água, respeitando a orientação clínica, continua sendo a escolha mais simples para a hidratação.
Como revisamos este artigo:
O conteúdo é revisado editorialmente e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição individual.
Publicado e revisado em 5 de setembro de 2026
Revisado por Conselho Editorial Renal Expert.