Hemodiálise em Casa: Opção para Apenas 8% dos Pacientes (Apesar do SUS)

Publicado em 21/02/2026 • 8 min de leitura

Paciente preparando equipamento de diálise domiciliar em um ambiente limpo e acolhedor
A diálise em casa oferece mais liberdade, mas exige comprometimento e suporte técnico.

A jornada do paciente renal crônico no Brasil é marcada por sessões exaustivas em clínicas especializadas. No entanto, uma alternativa que promete devolver a autonomia e melhorar a qualidade de vida é a hemodiálise em casa (e a diálise peritoneal). Infelizmente, dados recentes mostram que essa modalidade é utilizada por pouco mais de 8% dos pacientes, apesar de ser um direito garantido pelo SUS.

Destaque Estatístico

Segundo o Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a adesão à diálise peritoneal domiciliar oscila entre 5,6% e 8%. A meta do Ministério da Saúde, estabelecida há mais de uma década, era de que pelo menos 20% dos pacientes estivessem nesta modalidade.

O Que é a Diálise Domiciliar?

Existem duas formas principais de realizar o tratamento substitutivo renal fora do ambiente hospitalar:

  • Diálise Peritoneal (DP): Utiliza o peritônio como filtro natural. O paciente insere um líquido de diálise no abdômen, que retira as toxinas. Pode ser feita manualmente ou com uma cicladora durante o sono.
  • Hemodiálise Domiciliar (HDD): O sangue é limpo por uma máquina de hemodiálise instalada na residência do paciente. Requer um treinamento rigoroso e adaptações na infraestrutura da casa (água e energia).

Por que a Adesão é Tão Baixa no Brasil?

Embora os benefícios sejam claros, vários entraves impedem que a hemodiálise em casa se torne o padrão ouro para mais pacientes:

1. Repasses do SUS e Custos das Clínicas

O valor pago pelo governo às clínicas para gerenciar pacientes em diálise domiciliar é considerado insuficiente por muitos gestores. Isso desestimula as instituições a investirem no treinamento e no acompanhamento necessário para que o paciente faça o tratamento em segurança em casa.

2. Necessidade de Cuidadores e Treinamento

Diferente da hemodiálise em clínica, onde o paciente é assistido pela equipe técnica, em casa ele (ou um familiar) é o protagonista. Isso exige um nível de escolaridade e dedicação que nem todas as famílias conseguem suprir sem suporte contínuo.

⚠️ Alerta de Segurança

O tratamento domiciliar nunca deve ser iniciado sem a aprovação do seu nefrologista. É necessário que o ambiente doméstico atenda a critérios rígidos de higiene para evitar infecções como a peritonite.

Vantagens da "Hemodiálise em Casa"

Para quem consegue superar as barreiras de entrada, a mudança é drástica. Estudos apontam que pacientes em diálise domiciliar apresentam:

  • Menos Fadiga: A diálise pode ser feita com mais frequência e de forma mais lenta, agredindo menos o coração.
  • Dieta Mais Flexível: Como o sangue é limpo com mais regularidade, as restrições de potássio e líquidos costumam ser menos severas.
  • Saúde Mental: O paciente retoma o controle sobre sua agenda, podendo trabalhar, estudar e passar mais tempo com a família.

Como Conseguir o Tratamento Domiciliar?

O primeiro passo é conversar com o nefrologista da sua clínica atual. Se a clínica não oferecer a modalidade, o paciente tem o direito de solicitar o encaminhamento para uma unidade que possua o programa de diálise peritoneal ou hemodiálise domiciliar credenciado ao SUS.


Perguntas Frequentes sobre Diálise em Casa

1. Qualquer pessoa pode fazer hemodiálise em casa?

Não. É necessária uma avaliação médica, estabilidade clínica e que o paciente ou um cuidador apresente destreza para operar os equipamentos.

2. A diálise em casa dói?

O desconforto é similar ao da clínica. Na diálise peritoneal, não há picadas de agulha, o que é um grande alívio para muitos pacientes.

3. Vou gastar muito com energia elétrica?

Depende da modalidade. A diálise peritoneal manual não consome energia. A HDD e a DP por cicladora consomem mais, e existem benefícios de tarifa social para pacientes de baixa renda.