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Alimentação na Doença Renal Crônica: O que Comer e Evitar

Publicado em 13/07/2025 • 7 min de leitura

Alimentos saudáveis e proibidos para pacientes renais

Receber o diagnóstico de Doença Renal Crônica (DRC) pode ser um divisor de águas, trazendo uma série de dúvidas sobre o futuro e, principalmente, sobre o que colocar no prato. A verdade é que a alimentação se torna uma das ferramentas mais poderosas no controle da doença, influenciando diretamente sua qualidade de vida e a velocidade de progressão da condição.

Quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue eficientemente, substâncias que antes eram eliminadas sem problemas começam a se acumular, podendo se tornar tóxicas. É aqui que a dieta entra como um tratamento complementar indispensável.

Este guia completo foi criado para ser seu principal aliado. Vamos explorar, passo a passo, o que comer e o que evitar em cada fase da doença renal crônica, transformando a alimentação em uma força para sua saúde.

Por que a Dieta é tão Crucial para o Paciente Renal?

Imagine seus rins como um filtro de alta performance. Na Doença Renal Crônica, esse filtro começa a perder sua eficiência. A dieta funciona como uma forma de “pré-filtragem”, controlando a quantidade de resíduos que chegarão aos rins. O objetivo é duplo:

  1. Reduzir a Carga de Trabalho Renal: Ao consumir menos substâncias que os rins têm dificuldade em processar (como excesso de sódio, potássio, fósforo e ureia), você diminui o estresse sobre eles, o que pode ajudar a preservar a função renal restante por mais tempo.
  2. Prevenir Complicações: O acúmulo dessas substâncias no sangue pode causar sérios problemas de saúde, como pressão alta, doenças ósseas, problemas cardíacos e anemia. Uma dieta adequada é a principal linha de defesa contra essas complicações.

Navegando pelas Fases da DRC: A Dieta que se Adapta a Você

A alimentação ideal para o paciente renal não é estática; ela muda conforme a doença progride. O que é recomendado na fase inicial pode não ser adequado para estágios mais avançados ou para quem já está em diálise.

Fases Iniciais (Estágios 1 a 3): Foco no Sódio e na Proteína

Nos estágios iniciais, o objetivo principal é proteger os rins e controlar a pressão arterial.

1. O Combate ao Sódio (Sal):

O sódio em excesso faz o corpo reter líquidos, o que aumenta o volume de sangue e, consequentemente, a pressão arterial. A hipertensão é uma das principais causas e consequências da DRC.

Alimentos a serem evitados ou consumidos com extrema moderação:

  • Industrializados e Pré-prontos: Lasanhas congeladas, sopas instantâneas, caldos em cubo.
  • Embutidos e Defumados: Linguiça, presunto, salame, bacon, peito de peru.
  • Enlatados e Conservas: Milho, ervilha, azeitonas, palmito (a menos que sejam bem lavados).
  • Queijos Amarelos: Parmesão, provolone, muçarela.
  • Salgadinhos e Aperitivos: Batatas fritas, amendoim salgado, biscoitos de água e sal.
  • Molhos Prontos: Ketchup, mostarda, shoyu, molho inglês.

Dica de Ouro: Substitutos Inteligentes para o Sal

Aposentar o saleiro não significa ter uma comida sem graça. Use e abuse de:

  • Ervas Frescas ou Secas: Orégano, manjericão, alecrim, salsa, cebolinha, coentro, tomilho.
  • Especiarias: Cúrcuma (açafrão-da-terra), páprica, cominho, noz-moscada.
  • Temperos Naturais: Alho e cebola (frescos ou em pó, sem adição de sal), limão, vinagre.

2. O Controle da Proteína:

A proteína é essencial para o corpo, mas seu metabolismo gera um resíduo chamado ureia, que é filtrado pelos rins. Um consumo elevado de proteína sobrecarrega os rins doentes. Por isso, o controle é necessário.

A preferência pela proteína vegetal: Estudos mostram que a proteína de origem vegetal (leguminosas, tofu) pode ser menos agressiva para os rins do que a de origem animal (carnes vermelhas, aves). Converse com seu nutricionista sobre incluir mais:

  • Feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha.
  • Tofu e quinoa.

Isso não significa eliminar a proteína animal, mas sim balancear as fontes e controlar as porções de carne, frango, peixe e ovos.

Fases Avançadas (Estágios 4 e 5, Pré-Diálise): Restrição de Potássio e Fósforo

Nesta fase, a função renal está severamente comprometida, e o controle precisa ser mais rigoroso, adicionando dois novos elementos à lista de restrições.

1. O Controle do Potássio:

O potássio é vital para os músculos e o coração, mas seu excesso no sangue (hipercalemia) é extremamente perigoso, podendo causar arritmias cardíacas e até parada cardíaca.

Alimentos ricos em potássio a serem controlados:

  • Frutas: Banana, abacate, laranja, kiwi, melão, maracujá, frutas secas (damasco, uva passa).
  • Legumes e Verduras: Batata, batata-doce, mandioca, tomate (inclusive molho), espinafre, couve.
  • Outros: Chocolate, café solúvel, caldos concentrados, alimentos integrais, soja em grão.

Técnica para Reduzir o Potássio: Cozinhar os legumes em bastante água e desprezar essa água pode ajudar a reduzir o teor de potássio. Pergunte ao seu nutricionista sobre a técnica de fervura dupla.

2. O Controle do Fósforo:

O excesso de fósforo no sangue desequilibra os níveis de cálcio, retirando-o dos ossos (o que causa a Doença Óssea Renal) e depositando-o em locais como o coração e vasos sanguíneos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.

Alimentos ricos em fósforo a serem controlados:

  • Laticínios: Leite, queijos, iogurtes.
  • Proteínas: Gema de ovo, miúdos (fígado, coração), peixes como sardinha e salmão.
  • Grãos e Sementes: Feijão, lentilha, amendoim, nozes, alimentos integrais.
  • Industrializados: Refrigerantes à base de cola, cerveja, bolos, bolachas.

A Dieta na Diálise: Novas Regras do Jogo

Quando o paciente inicia um tratamento de substituição renal (hemodiálise ou diálise peritoneal), a dieta muda novamente de forma significativa.

  • Aumento da Proteína: A diálise remove não só as toxinas, mas também alguns nutrientes, como as proteínas. Para evitar a desnutrição, a ingestão de proteínas precisa ser aumentada. Seu nutricionista irá calcular a quantidade ideal.
  • Restrição de Líquidos: Como o rim não consegue mais eliminar a urina adequadamente, todo líquido ingerido (água, sucos, chás, sopas) se acumula no corpo entre as sessões. O controle rigoroso de líquidos é vital para evitar inchaço, falta de ar e sobrecarga do coração.
  • Manutenção do Controle: O controle de sódio, potássio e fósforo continua sendo essencial e rigoroso.

O Perigo Oculto: Decifrando os Rótulos dos Alimentos

Muitos alimentos processados contêm potássio e, principalmente, fósforo em forma de aditivos químicos. O grande problema é que o fósforo vindo de aditivos é absorvido quase em 100% pelo corpo, ao contrário do fósforo natural dos alimentos.

Fique de olho na lista de ingredientes! Evite produtos que contenham palavras com os radicais:

  • FOSF (Ex: fosfato de sódio, ácido fosfórico)
  • POTASSI (Ex: cloreto de potássio, acessulfame de potássio ou Acessulfame K)

O Papel Indispensável do Nutricionista

Este guia oferece uma visão geral, mas não substitui a orientação individualizada. Cada paciente é único. Somente um nutricionista especializado em nefrologia pode avaliar seus exames, entender seu estilo de vida e criar um plano alimentar personalizado e seguro para cada fase da doença.

Procurar este profissional não é um luxo, mas uma parte central e indispensável do seu tratamento. Ele será seu maior parceiro para garantir que você se alimente de forma prazerosa, segura e eficaz.

Cuidar da alimentação é cuidar ativamente da sua saúde renal. Com as escolhas certas, você pode retardar a progressão da doença, evitar complicações e, acima de tudo, viver com muito mais qualidade e bem-estar.

Fonte: RenalExpert