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A Diálise Esquecida: Luta pela Autonomia e o Abismo de R$ 9 Bilhões no SUS

Publicado em 06/02/2026 • 5 min de leitura

Paciente renal em tratamento, ilustrando a escolha entre hemodiálise e diálise peritoneal

Enquanto uma professora de 39 anos dorme em sua casa, em São Paulo, uma máquina ao lado de sua cama trabalha silenciosamente, realizando um procedimento vital que lhe devolveu a rotina e a liberdade. No mesmo Brasil, uma aposentada de 41 anos, do interior do Nordeste, acorda antes do amanhecer três vezes por semana para percorrer quilômetros em busca do mesmo objetivo: sobreviver.

Entendendo a Jornada Renal: Da Doença Silenciosa à Necessidade de Diálise

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma epidemia silenciosa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela afeta uma em cada dez pessoas no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 6,7% dos adultos convivam com a condição, um número que triplica entre os idosos. Trata-se de uma lesão progressiva e, na maioria das vezes, irreversível dos rins.

O grande desafio da DRC é seu caráter assintomático nos estágios iniciais. Sintomas como inchaço nas pernas, alterações na cor ou espuma na urina, cansaço extremo e perda de apetite costumam aparecer apenas quando a função renal já está severamente comprometida.

“Os principais fatores de risco para a doença incluem hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade e o próprio envelhecimento. Uma vez afetada a função do rim, não há reversão, mas podemos desacelerar a piora.” — Especialista em Nefrologia

Hemodiálise vs. Diálise Peritoneal: Decodificando as Opções

Embora ambas as terapias substituam a função renal, a forma como são realizadas e o impacto na rotina do paciente são profundamente diferentes.

1. A Hemodiálise: A Rotina que Salva Vidas

A hemodiálise (HD) é o método mais conhecido e difundido no Brasil. Realizada em clínicas ou hospitais, o sangue do paciente é retirado do corpo, passa por uma máquina com um filtro artificial que remove as impurezas, e depois é devolvido limpo.

2. A Diálise Peritoneal: A Liberdade de Tratar-se em Casa

A diálise peritoneal (DP), por outro lado, oferece uma revolução na autonomia do paciente. Nesta modalidade, o próprio corpo atua como filtro. Um líquido especial é inserido na barriga por meio de um cateter, absorve toxinas e excesso de líquidos e depois é drenado.

O Paradoxo de R$ 9 Bilhões no SUS

Se a diálise peritoneal oferece tantos benefícios, por que ela representa uma fração ínfima dos tratamentos? Os números são chocantes: dos mais de 36,6 milhões de atendimentos de diálise nos últimos dois anos, apenas 171 mil foram de DP. A disparidade de investimento de R$ 9,3 bilhões contra R$ 46,5 milhões aponta para um problema estrutural de financiamento.

Para Quem é a Diálise Peritoneal? Mitos e Verdades

É crucial desmistificar a ideia de que a DP é para poucos. As contraindicações são específicas: pacientes que passaram por múltiplas cirurgias abdominais, pois o peritônio pode estar comprometido; ou aqueles com dificuldades motoras severas sem cuidador.

O Futuro da Diálise no Brasil

A diálise peritoneal e a hemodiálise não são concorrentes, mas terapias complementares. A existência de uma alternativa que pode libertar o paciente da rotina hospitalar é uma conquista que não pode ser negligenciada.

Para acessar o tratamento pelo SUS, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde (UBS). Pacientes e familiares devem se informar e questionar ativamente seus médicos sobre todas as modalidades de tratamento disponíveis.

Fonte: Renal Expert News